- Chefe
é tudo igual. Ai!!! to furiosa, que asco.
- O que
foi dessa vez, Maria?
- O Dr.
Heitor, me chamou no escritório e veio tentando me encochar de novo, canalha.
- Ai
mulher, não fala isso, ele continua fazendo essas coisas. Toma cuidado. Viu o
que aconteceu com a Verinha. Foi denunciar e acabou ganhando a conta por justa
causa. A situação não tá assim pra ficar sem trabalho.
- Eu
não vou aguentar isso não. O traste fica me perseguindo no trabalho. Outro dia
passou a mão encima da estante e falou pra eu limpar de novo que tava com
poeira.
- Eu
lembro quando ele fez isso com a Verinha. Imagina, o home baixinho do jeito que
é, na pontinha do pé pra alcançar a mão encima da estante. Foi até engraçado.
- Tem
nada de engraçado não, Rosa. Isso é assédio, e assédio é crime. Temos que
denunciar. A Verinha falou que um dia ia colocar uma gilete bem afiada lá
encima, pra quando ele passasse a mão. Ai, porque não fez.
- É,
não deu tempo.
-
Agora, cê viu a Selma. Vive trancada lá no escritório. Como se presta a um
serviço desses.
- Pra
você vê. Nunca mais pegou no pesado, agora é só fazendo cafezinho e levando pro
‘chefinho’.
-
Mulher, to me segurando, se eu contar pro Fabio tu já sabe, né, não sobra uma
bala no treizoitão.
-
Agora, eu, se contar pro João, ele ainda vai colocar a culpa em mim. Vai falar
que é a roupa que eu uso pra vim trabalhar.
- Tenso
amiga, imagina ele controlando sua roupa, num calor desse e você vindo
trabalhar com roupa fechada.
- Né...
Mulher, mudando de assunto, o que foi aquela chuva. Alagou tudo lá em casa.
- Nem
me fala, lá em casa a água bateu na porta.
- O
pior foi depois, o que entrou de aranha dentro de casa. As crianças morrem de
medo. Não conseguem nem dormir direito.
- E
acredita que lá em casa deu pra aparecer escorpião. Uns escorpiãozinho preto,
bem pequenininho.
-
Viche, toma cuidado, esse bicho mata. Ai, me arrepio tudo só de pensar. Esses
pequenininho que é perigo, entra dentro do sapato e a gente nem vê. Uma picada
desse bicho e já era.
- Nem
me fala. O Fabio colocou eles dentro de um vidro, chamou o Centro de Zoonozes,
mas até agora nada. Os bicho tão tudo lá, vivinhos da silva, com aqueles
rabinho pra cima pronto pra injetar veneno.
- Ai
que medo. Parece cobra cascavel preparando o bote.
- Medo.
- Olha
lá o home te chamando de novo.
- Falei
pra tu, agora tá me perseguindo. Aposto que vai passar a mão encima da estante
e mandar eu limpar de novo.
- Olha
lá o que tu vai fazer. Emprego não tá fácil não.
- Pode
deixar amiga. Amanhã tem surpresinha encima da estante.
-
Mulher!
- Esse
não passará.
(Do livro: Contos que me Contam)
(Do livro: Contos que me Contam)

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