segunda-feira, 1 de outubro de 2018

EL PORTUNHOL Y EL PORTUNHOL SELVAGEM (Douglas Diegues - Paraguai/Brasil 2007)

EL PORTUNHOL Y EL PORTUNHOL SELVAGEM (1)

Comienzo hoje a postar aqui algumas notas sobre lo que pienso sobre o meu portunhol, que es el portunhol selvagem, que non é meramente u “brasiguaio da frontera Brasil/Paraguay”, pero que usa como fuente la fala de las pessoas simples que habitam la frontera onde fui criado. Myriam Ávila escrebeu um texto sobre mios sonetos selvagens que me alegrou bastante e me transmitiu inspirazione para avanzar sem temores y sem pretensiones por la selva da literatura contemporânea. Y lo que primeiramente quero anotar es que el portunhol selvagem para mim non es uma "fórmula", pero um camino que vai se haziendo en la medida que sigo avanzando. Porque non escrevo para el mercado. sea el de las librerías ou de los libros para el vestibular. Já publiquei dois livros em portunhol. Livros de sonetos selvagens. "Dá Gusto Andar Desnudo Por Estas Selvas" (Travessa dos Editores, Curitiba, 2002) e "Uma Flor Na Solapa Da Miséria" (Eloisa Cartonera, Buenos Aires, 2005). Dizem que fue el primeiro livro de poesia em portunhol. Mas isso non quer dizer nada. Y tengo dois livros inéditos, "La última cumbia de la calle última" (Nouvelle) y "El Astronauta Paraguayo" (Nouvelle em bersos), que quero publicar ainda neste semestre. Pero por qué insisto em escrever em portunhol selvagem? Porque aos meus olhos y ouvidos mio português ofiziale continua me parecendo uma língua falsa, impostada, parnasiana, normal, fingida, esclerosada. Sobretudo esclerosada. Entom escrever em portunhol selvagem me parece também um camino interessante para subvertir la esclerosis del português literário que se puede encontrar en la mayoria de las narrativas y poemários que circulam pelo circuito del mercado editorial nazional. La lengua esclerosada tiene como base el Português Oficial, normal y normatizado, la lengua nacional patrocinada por lo Estado y ensinada diariamente en las escuelas brasileiras. Mucha dessa esclerosis de la lengua puede ser verificada também en las novelas de televisão y en las páginas escritas que circulam no mundo virtual (blogs, sites, notiziêros, etc), enfim, na linguagem utilitária y bien comportada que non encanta mais. Claro que se puede desesclerosar el português oficial desde lo próprio português pau-brasil. Claro que se puede poner el português oficial de cabeza pra baixo. Mas lo que noto é que muitos autores bem editados continuam a escrever em português oficial como si el objetivo mayor sea mismo ser aceptado pela Academia com los aplausos e las resenhas consagradoras de los professores, mestres y doctores. El português oficial é uma língua bancada pelo Estado. Y escrever passivamente nessa língua oficial sempre me pareceu um ato de Subserviência à língua como Estado, à escrita como instrumento de Poder e Dominação. É nessa língua que as crianças vienen siendo domesticadas. Já mio portunhol selvagem, mais do que língua de “resistência”, me parece uma língua de subverzione  a la norma oficial com tutela del Estado. Pero isso non quere dizer que basta escrever em portunhol para resolver o problema da subserviência ou para se fazer boa literatura. Literatura, arte, música, é vida. Es vida ou non es puerra ninguma. El portunhol selvagem também es vida ou non es puerra nenhuma. Non basta pegar um huevo e adornarlo com portunhol e guarani. O portunhol selvagem é um procedimento. Uma maneira de escrever. Um modo de ser de uma certa escrita. E non quer dizer também que seja único. O portunhol dum Wilson Bueno em Mar Paraguayo ou nas novelas que ele vem escrevendo, non tem nada a ver com o meu portunhol selvagem. O portunhol do Bueno é uma onda barroquista, com frases confeitadas y palabras que surgem com las unhas pintadas de vermelho. O meu portunhol non tem enfeite, non é barroco, nim tiene palabras com las unhas pintadas de bermelho. Son duas ondas diferentes. O que me interessou em Mar Paraguayo foi muito mais o procedimento do que o resultado. O enredo me parece frustrado e zombetêro, uma Velha sem graça se justificando o tempo todo que non foi ela quem matou aquele Velho xarope e babom e aquele mitaruzú que vai y viene por la Playa de Guaratuba y enloquece a la velha de ganas de culear y ninguém ali nim pone huevo nim nada. Es un relato desencantado. Los personagens son como aranhas pelotudas que ficam enchendo linguíça durante umas 80 páginas. Mas há ali em Mar Paraguaio cosas muy verdadeiras, que non tienem nada que ver com el enredo, y que es lo que me interessa y me parece inovador. Mesmo porque em Mar Paraguaio o enredo é apenas um pretexto para que o portunhol possa existir. Isso tudo para deixar aqui anotado que nem eu y creo que nim o Bueno quiseram “inventar uma nova língua”. Yo por lo menos tengo claro que non quis inbentar uma “nova língua” e sim inbentar uma lengua própria, che portunhol selbagem, pessoal y intransferíbelle. Porque inbentar uma nova língua, inbentar uma nova norma, seria como matar o portunhol y toda la liberdade que pulsa viva nele. Porque el portunhol es free. Cada um lo puede inbentar como se le cante la bolilla. Non es uma língua-fórmula. É uma língua-risco. Uma língua subersiva. Uma rebeldia errante. Todo menos um procedimento literário subserviente a la oficialidade del Português ou del Espanhol. Uma língua sem apoio del Estado, del Ministério de Educacion, de la USP, de la ONU, de la NASA. Uma língua que non existe. Mas a la que puedo dar vida. Y por qué sigo escrebendo en portunhol selbagem? Porque non é dificil nem fácil, nem bueno nem malo, mas simplesmente porque me dá muito prazer escrever assim. Me alegra escrever assim. Es tudo lo que me sobra. Cada frase es um gozo. Cada frase me salva de la morte por clichê. Cada frase es uma recusa a escrever como um aluno bem comportado que aprendeu corretamente a língua que le ensinaram na Escola. Y também para mim es como volar em vez de caminar. Y es também como se eu tivesse fugido du Presídio da Língua Oficial para viver um caso de amor verdadeiro. E isso non tem nada que ver com uma Fórmula que eu descobri e agora la utilizo porque deu certo ou porque teve aceitação entre leitores de todas as partes. Sei que muita gente non leva a sério o portunhol. Cago e ando para eles. Podem ser dotôres da USP ou Manda-Chuvas da Imprensa. Pero sei que son personas que non se tocaram ainda que non conseguem deixar de levar a sério a Língua Oficial tutelada pelo Poder. Claro que um escritor deve ter domínio de la Lengua. Mas também non es esse domínio de la lengua que vai garantir que um texto tenha vigor de Selva Paraguaya. Y certamente son escritores que escrevem num português certinho, um português sem gosma íntima e sem chupetinha, um português falso atrás do qual eles camuflam toda a sua mesquinharia e seu desejo de Poder. Y certamente devem estar sendo bastante aplaudidos por seus professores de Português. E indicados para os vestibulares oficiais. Porque claro que los que escrevem num português corretíssimo, mesmo makakeando Manoel de Barros, van a tener mais aceitação nas Editoras do País do que um chongo que escreve num funkumbiêro portunholesko di frontera. Principalmente se tem papai influente en la máfia das Academias de Letras ou ocupa algum cargo importante numa Universidade qualquer. Sempre foi assim. Mas as coisas están mudando. Em matéria de literatura continua sendo difícil inventar uma voz própria. É mais fácil ecoar Drummond, Haroldo de Campos, Bandeira, João Cabral. Es mais fácil imitar o colega premiado do que fazer la kosa com la materia misma de las próprias bolas. Y com mio portunhol selbagem non busco mais que fazer la coisa com mis próprias bolas y mio próprio sangue em vez de imitar modelos yankis ou europeus ou kurepis bem sucedidos. Non se trata de continuar usando uma fórmula. Muita coisa pode ser feita em portunhol. Mas fazer las coisas em portunhol non é garantia de literatura viva. La vida es la energia que cada um põe antes das palabras. Non hay como disfarçar morte com vida. Outra coisa que quero anotar és que mio portunhol non es rebuscado, neobarroco, chururú. Es um portunhol bruto, escrito com sinceridade. Um portunhol verdadeiro sem papas en la lengua porongueante. Y non uma encenación, como bem notou y anotou Myriam Ávila. Tenho mais coisas para seguir anotando aqui. Mas ficará para depois. Quando de la presentación de mi primer libro, em Curitiba, Décio Pignatari perguntou quantos anos eu tinha y quando yo respondi 38, ele disse apenas “Faz rápido a tua obra”. Fiquei com aquilo en la cabeza. Ya he terminado dois livros neste final de ano, "La última cumbia de la calle última" y "El Astronauta Paraguayo". Y tô gostando del Astronauta Paraguayo. Outro dia fui fazer a impressão dos originais numa gráfica rápida. Quando disse ao rapaz que me atendia que um dos arquivos se chamava El Astronauta Paraguayo, ele começou a rir y eu achei aquilo legal. Porque parece que consegui enfiar nesse livro la energia de uma graça clown y triplefrontêra que se sente ya en el título. "El Astronauta Paraguayo"? Yes, beibi. Porque es isso mismo lo que agora quiero. Meter um pouco de vida clown y primitiba del carnabal chiriguano en um mundo cada vez mais sério y mais moderno y  aburrido.

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EL PORTUNHOL Y EL PORTUNHOL SELVAGEM (2)

Na nota passada sobre el portunhol y el portunhol selbagem acho que non consegui dizer algumas coisas como me gustaría habérlas dicho. Non sei si lo voy a conseguir agora. Escrever bêbado di vida non es muito confiável. De vodka com limón mucho menos. Fico sincero demais. Non deixo o texto esfriar na gaveta. Escribo como um Pibe Chorro. Mia palabra chorrea. Jorra. Espermátika. Escrevo sem parar en el calor del momento. Non fico retocando. Depois ponho aqui neste blógui que me custa dois real a hora numa Lan fronteriza. Mas aprendi com u grande escritor Washington Cucurto (uno de los fundadores de la Editorial Eloisa Cartonera junto a Javier Barilaro), que es lindo também assumir los defectos, los errores, las bolasfuera, las mankadas. Y acho que fui apressado e injusto com el compa Wilson Bueno, que es un verdadero maestro del verbo hechizero sin favorzito ou propaganda idiota. Yo disse que el relato en Mar Paraguayo era fracassado. Pero me parece que faltou completar que isso de ser relato Fracassado tambiém es lindo en el Mercado de los Sucessos de La Literatura y tambiém me lo hace leer a Mar Paraguayo como um Papiro Raro de la Literatura del siglo XXI. Pero non disse tambiém que o Portunhol-Avá-Ñee de Wilson Bueno mismo sendo uma escrita barroca, com frases com unhas pintadas de bermelho, es una escrita sofisticada, uma escrita Além du Bem y du Mal, de un escribaoriginal, de um gênio Fora du Eixo, que sempre surpreende com sus koisas y kosas escritas com la miel y la leche de su próprio corazom. Y lo lindo tambiém es como una Marafona paraguajíssima, que delira como uma Metranka com Concha disparando sem parar su Portunhol-Avá-Ñee, que nunca se cansa de chorrear palabras como Catarata del Yguazú, me puede Encantar por mais de 80 páginas. Sei que tem gente inteligente que non gosta du Mar Paraguayo. Li críticas bobitas escritas por gente inteligente na Imprensa Nacional. Pero tengo que dizer que mi Amor por Mar Paraguayo es Sincero y sin el maestro Bueno y su Mambo Guaranhol yo jamais talvez escrevesse sonetos selbajens nim El Astronauta Paraguayo (inédito) y nim La Última Cumbia de la Calle Última (inédito). Los personagens puedem ser unos boludos. Pero son boludos originales y selbajens y carnabalescos y fantasmagóricos y hay que aceptárlos como son. Pero lo que também me gusta mucho en Mar Paraguayo es quando como en um teatro Nô u grande Wilson Bueno veste la máscara chiriguana de la Marafona y dice cosas de um frescor renovador y una sabedoria hecha de Amor Azul por la Palabra y por las Lenguas. Pero às vezes la Marafona me cansa, me aburre, me parece lamentosa, me parece el ditador paraguayo Alfredo Stroessner disfarçado de Vieja en la soledad del Exílio de Guaratuba, cidade litorânea paranaense onde di fato el ditador morou um tempo y cuyas playas en los veranos se llenam de paraguayos tomando tererês que hacem de la ciudad um verdadero Mar guarango, porque como todos sabem, Paraguay non tem Mar, y que serviu de inspiração para Bueno escrever Mar Paraguaio. Gostaria de anotar também que Mar Paraguayo deve muito também a Jorge Kanese, Augusto Roa Bastos, Fábio Campana, Helio Vera, entre outros escritores y paraguayólogos que lhe regalaram el guarangas inpiraziones de la inspiracione selbagem para que ele escrevesse essa novela. Bueno es un inbentor de procedimentos. Es uno de los escribas mais antenados del País. Editou aquela jóia rara que foi o premiadíssimo Nicolau. E me parece que é um dos vários talentos vivos que a Imprensa Nacional non sabe aproveitar legal. Outro dia vi ele sendo entrevistado num programa da Globo News. Se notaba que o repórter era muito querido. Mas non tinha muita intimidade com las obras do Compa. Mesmo assim foi legal. Pena que la conversa non foi muito longa. Y nim tan espontânea como aquele Roda Viva MS que fizemos com o Bueno em Campo Grande, onde o escritor falou por mais de uma hora y finalizou dizendo um lance que eu nunca esqueci e que era mais ou menos que o lance dele era Iluminar o Silêncio com Palavras. Agora imaginem se fosse um Lorenzo Garcia Vega entrevistando o Wilson Bueno? Seria uma Cumbia Imperdible. Porque em Avá-portunhol ou em qualquer Português brasileiríssimo, Wilson Bueno, a cada nuebo libro, es una sorpreza llena de vida y sangre de suo mismo corazom. Y estou feliz também porque el Compa Bueno está escrevendo nobelas en su imperdible Guaranhol. Uma de essas nobelas ya fue publicada en la rebista Tsé-Tsé hecha por los queridíssimos amigos Gabriela y Reynaldo Jiménez en Buenos Aires. Em breve poderemos leer mais coisas do Bueno en Guaranhol. Y todas terão sua marca inconfundíbel. Y de Wilson Bueno tambiém yo y u Cristian de Nápoli fizemos uma linda traducción al Idioma de Los Argentinos do belíssimo Chuvosos, para a editora Eloisa Cartonera, y que foi um sucesso di vendas na Bienal das Artes 2006 de Sampa. A versão original de Chuvosos pode ser lida também no Cronopinhos, site www.cronópios.com.br, que é feito por grandes figuras humanas que son Edson Cruz y Adrienne Myrtes y Pipol entre outros que estão salvando la Pátria de la Literatura Contemporânea Brasileira. Enfim. Non vou pedir desculpas ao Bueno pelas coisas que yo anotei pela metade sobre o nosso Mar Paraguayo. Este livro para mim sempre será um Papiro Raro (com todos sus defeitos y sorprezas perfectas) escrito por um despretensioso y humano y generoso e imenso Poeta que para mim será sempre el hermano mais antigo y el mais sabido y el inolvidábel maestro de la Noche Triplefrontera.

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Acesse mais no site:

http://portunholselvagem.blogspot.com/

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